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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Culpa

Imagem Flickr

Admiti que era eu a culpada. A culpada de tudo o que estava a acontecer nos últimos tempos. Não me custa dizer que sou eu a culpada, dói mais sentir o peso dessa culpa, passado tanto tempo de me acostumar a ela, como nos habituamos a uma dor crónica que já não se dissocia do próprio corpo. Cresci numa casa com ela sempre por perto, vivi com ela e não mais a larguei.

Esperei por ti no sítio combinado, dentro do carro naquele dia chuvoso e triste. As minhas mãos estavam geladas. Tinha chovido, ia chovendo e pingando ao ritmo lá de cima. Caíam uns pingos de água pesados sobre o tejadilho, que me incomodavam, pelo eco que reflectiam cá dentro... esses pingos, que bem podiam ser lágrimas a escorregarem-me pela face abaixo, interrompiam o silêncio em que estava mergulhado o meu pensamento distante. Queria distanciar-me e fugir desta culpa, que rejeito e vou buscar, deste peso esmagador que me roubava a serenidade. Sentia-me diariamente desprovida de tudo e cheia de nada, vítima da culpa auto-imposta que crescia em torno de mim, tal teia emaranhada de receios.

Quando pensava na razão de tal peso não conseguia vislumbrar argumentos lógicos, mas o que é certo é que o sentia, por não ter tempo suficiente, por gorar expectativas, por procrastinar, por não aproveitar, por não sentir o que queria, por desiludir, por não conseguir dar mais...

E sentir tudo isto era tão avassalador que não me permitia avançar, paralisava-me e jogava-me a um canto como folha de papel amachucado.

Finalmente chegaste. O teu sorriso de menino e esse brilho no olhar deram-me esperança... em acreditar que não tinha de me sentir assim. Senti-me protegida e guardei esse momento para sempre.

sábado, 23 de maio de 2009

Generosidade

Cruzamo-nos, ao longo da vida e no quotidiano com o mais variado tipo de pessoas, com as mais diversificadas espécies de atitudes. As atitudes podem mudar, as pessoas mudam, mas a forma como os nossos olhos as encontram também é diferente. Ganhamos surpresas, perdemos inocência e construímos barreiras. Porque é preciso erguê-las para nos tornarmos mais fortes e menos expostos.

Para compensar e equilibrar a construção da couraça defensiva, surgem personagens subtis neste filme que é a vida. Pessoas que são espontaneamente generosas, que naturalmente dão o que de melhor têm, que inconscientemente oferecem palavras meigas e gestos sinceros, que sem intenção pensada querem o bem do outro sem moeda de troca.
Generosas são aquelas como as estrelas mais discretas e pequenas, mas muito brilhantes... São as pegadas na areia mais difíceis de apagar pelo mar. A generosidade é um bem invisível que tantas vezes nos esquecemos de apreciar. É a mão que nos segura bem forte, mesmo numa corrente turbulenta. É quando sentimos que se faz tudo o que for preciso para nos roubarem um sorriso de bem estar. É sermos incondicionais sem ferirmos ninguém. É a pureza de dar sem esperar o mesmo de volta. É um pedaço muito grande do amor e da amizade. É um bem querer muito doce.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Frustração

Palavra feia, sentimento pesado e incomodativo, que combina com a palavra. Frustração é investir esforço e não conseguir, é esticar a motivação e não alcançar, é querer e não ter, é ter a certeza e não ser aceite, é acertarmos mesmo ao lado...
Aprendemos a conviver com a frustração desde muito novos e a controlar os nossos impulsos mesmo quando nos sentimos frustrados, em diversas situações.


A baixa resistência à frustração está muitas vezes associada a pessoas extremamente exigentes, que são bem sucedidas e raramente provaram o sabor amargo do insucesso.
A frustração é seguirmos um caminho confiantes e descobrirmos que ele não tem saída, é subirmos uma montanha debaixo de um calor intenso e descobrirmos no topo uma paisagem inóspita e um esforço vão. É termos vontade de escrever e fluirem palavras estéreis.
É querermos bem a alguém que não nos dá importância. É não termos culpa e sermos punidos.
É vermos transformada uma amizade num desconhecimento cinzento.
As respostas à frustração podem ser tão torpes como a angústia a ela associada e deixar uma mossa na alma envergonhada. Mas também podem ser indício de mudança, de um virar de página ou simplesmente um sinal de persistência naquilo em que acreditamos.
Que bom que podemos reflectir, re-analisar, reprimir ou redimensionar o que nos acontece... para que ela não ande constantemente pelas redondezas do nosso viver.

domingo, 15 de março de 2009

Relativo

Às vezes perdemo-nos tão estupidamente no meio das nossas preocupações, dos nossos problemas tão nossos e tão sérios, dos conflitos e situações gravosas das nossas vidas, que nos esquecemos de relativizar e desdramatizar. Que nos esquecemos de aproveitar o que de bom tem a vida, que fazemos questão de ter pena de nós próprios e dos nossos, que nos esquecemos de olhar para o lado e perceber que somos uns sortudos neste mundo louco recheado de mortes irónicas e doenças surpresa.

É bom lembrarmo-nos que tudo é relativo, nada é permanente ou garantido e o que realmente importa é o presente e como vivemos o momento do "agora".

domingo, 18 de janeiro de 2009

A vida é feita de legos

Gostava de pensar menos. Pensar é cansativo, desgastante. À pala de pensar demais é que estou sempre com estas dores na cervical e contracturas insuportáveis, a culpa é deles, dos pensamentos. No fundo, a culpa de tudo o que nos acontece é dos pensamentos e dos sentimentos.



O pior é que isto é um ciclo vicioso, e não podemos atirar as culpas para mais ninguém para além de nós próprios! Sim, por exemplo, quando elegemos aquela pessoa como uma grande amiga ou melhor amiga, é porque NÓS pensamos que ela reúne condições para isso, que é espectacular, parecida connosco nas opiniões e perspectivas, que nos dá o ombro quando precisamos e ouve as maiores parvoíces quando queremos desabafar.


Mas somos nós que construímos a pessoa ideal, o amigo ideal, o amor ideal. Será que elas têm mesmo aquelas características que gostamos tanto? Ou o sentimento positivo que nos prende oculta as imperfeições, relativiza os defeitos, esconde as verdadeiras atitudes que não vemos? E depois sentimo-nos desiludidos, coitadinhos de nós, tão ingénuos, incrédulos por não responderem ao telefonema ou à mensagem, por terem sido frios quando em tempos eram incondicionais! Bahh!


E a partir desse momento começamos a ver de outra forma aquela pessoa... "se calhar não é tão perfeita, se calhar eu até vi mal"... Pois é... a "culpa" é só nossa, por criarmos expectativas altas, por esperarmos demais, por acreditarmos só no lado bom e recusarmo-nos a aceitar o "lado lunar". Ou por não conseguirmos perceber que as relações mudam, evoluem ou desevoluem, mesmo que continuemos a considerar aquela pessoa um amigo próximo com quem podemos contar, passamos a representar um amigo distante ou um conhecido.


Mas o que assusta mesmo é percebermos que aquela pessoa foi sempre assim, nós é que não vimos. Construímos a nossa realidade como nos convinha, como quisémos, para que as nossas necessidades fossem satisfeitas. Será que quando vemos os outros, nunca conseguimos entender como são na sua plenitude? É difícil prever o comportamento do outro, adivinhar o que pensam e sentem...


Que vida maluca, onde parece que andamos a brincar aos legos constantemente, a construir imagens dos que nos rodeiam que depois se desmoronam e temos de voltar a construir um modelo mais feio!! Começo a questionar-me se o que vejo dos outros é sempre ficção construída por mim e se é impossível ver a realidade.

Ontem recebi um mail que dizia que "ninguém é perfeito enquanto não te apaixonas". Isto faz-me reforçar a ideia que quando estamos apaixonados, encantados, muito ligados aos outros não nos apercebemos de outras coisas menos boas... não nos apercebemos que afinal até são egoístas, auto-centrados ou pouco humildes.

Talvez por isso as amizades duradouras demonstrem que é nos nossos piores momentos que se vê quem gosta de nós... e que o amor não é efémero como a paixão cega, e integra, aceita e valoriza todas as imperfeições do outro.


Será que vou ter de construir legos relacionais para sempre?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Regresso


O regresso foi difícil. Adiado, ponderado, auto-prometido. Voltar a escrever no blog passou para um plano secundário, não por falta de tempo, um pouco por falta de vontade, necessidade de sair do mesmo registo, do mesmo estilo, outro tanto por cansaço de mais do mesmo, das mesmas ideias, pensamentos e palavras que teimam em não variar.




A motivação passou a ser "Vou voltar a escrever no blog, mas apetece-me mudar algo, passar a uma nova fase, como está a acontecer na minha vida". E a esta motivação foi acompanhada do querer o momento certo, a altura ideal, as palavras perfeitas, que nunca chegam.




Haveria tanto para partilhar, para escrever, para contar do que se passou nestes últimos meses... muitas, muito boas, outras, felizmente menos, mais tristes. Algo de marcante surgiu de forma mais ou menos repentina, mas muito desejada: uma mudança, profissional, com grande impacto na vida pessoal. Uma experiência única, inigualável, irrepetível, com tudo o que de péssimo e óptimo me está a oferecer.




Mas o que me "obrigou" ao regresso foi um estado de espírito que frequentemente me predispõe à escrita, um limbo entre a incapacidade de exprimir o que sinto e a vontade de libertar caminho para o rio de palavras retido no meu ser. Um estado em que habita a necessidade de compreender o que aconteceu, porque aconteceu e porque não fui capaz de prever... e me deixa sem fôlego, exausta para seguir em frente sem antes resolver o presente. Defeito... talvez! Feitio... definitivamente.




E agora, ao deitar, só quero sentir que a escrita foi catártica, e que me sinto mais ligeira.




Porque a desilusão só depende das nossas expectativas, que são nossas e podem deixar de o ser. E porque tudo o que percepcionamos hoje é relativo, é a nossa interpretação e não necessariamente a realidade e o que vivemos como sólido e duradouro pode, na verdade revelar-se circunstancial ou frágil. Porque podemos atenuar o que sentimos, é "só" mudar a forma como pensamos. Porque não estamos sempre certos... nem é preciso. Mas também não estamos sempre errados. Porque comunicar é preciso mas aceitar pode ser mais valioso.

sábado, 21 de junho de 2008

Sentir o sentimento

A manhã foi produtiva ao nível do desenvolvimento pessoal. Ajudou-me a sentir o que estou a sentir, em vez de apenas pensar sobre o que sinto. Sentimentos ambivalentes, de optimismo e ansiedade, felicidade e tristeza, aproximação e rejeição, disponibilidade e impaciência, habitaram a minha semana. Hoje, a consciência do meu estado de espírito tornou-se mais saliente, mais viva, e acabou por realçar a ansiedade pelo que aí vem na próxima semana. Preciso de uma pausa, mas falta a recta final. Quero dedicar o tempo necessário, mas só há o tempo disponível, as sobras do que se gasta pelos imprevistos e as obrigações.



Cheguei a casa solitária e consciente, mas também inquieta. Obriguei-me à tal pausa, para descontrair e não pensar, antes de mergulhar no trabalho final. A fome não chegou, por isso não cumpro o almoço.


Acendo um incenso calmante e deito-me no sofá por instantes. A incapacidade (talvez culpa) de me centrar no meu descanso é tanta que me levanto após uns segundos, porque entendo os miares da Mel como um pedido de atenção nesta semana com muita ausência. Tento de outra forma, e vamos as duas à varanda. As brincadeiras felinas reconfortam-me, por excepção acendo um slim e inspiro profundamente... devolvo um sorriso ao sol. Transporto-me para perto de mim ao centrar-me naquele espaço simples, sem pensar na gramática complexa dos sentimentos. Ao fim de uns momentos, fecho o olhos e a tensão dilui-se, como açúcar num café quente. Estou ligeiramente tonta e descontraída. A Mel dorme agora tranquila e preciso da escrita para me organizar. Vou começar... porque está quase a acabar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Desilusões

A desilusão é definida como perda de ilusão, desengano, decepção. Muitas vezes sentimo-nos assim, desiludidos, decepcionados. Porque esperávamos mais de um sítio, de uma experiência, de uma atitude ou comportamento, da nossa instituição, de alguém a quem queremos bem...


Essa parva, a quem chamamos Desilusão, é filha de uma Expectativa vadia que deambula no sótão dos pensamentos e ocasionalmente espreita pelas janelas das Vontades. Mas somos nós que lhe damos abrigo, à vadia. Permitimos que ela cresça desmesuradamente, que componha o sótão como bem quer, mas sempre de acordo com a decoração do que já existe nesse espaço.

A Expectativa surge quando menos esperamos, de fininho e sem darmos conta. Diz-nos ao ouvido coisas tão doces e e sinceras que levitamos... Oferece-nos umas lentes especiais para os olhos, que nos faz ver só o que queremos ver e não o que lá está tão transparente. Tacteamos constantemente sinais que confirmem a Expectativa, sem margem para dúvidas. E ela vai simplesmente crescendo, mais e mais...até nascer a Desilusão, a bastarda pela qual não esperávamos e não queremos, completamente diferente da sua mãe Expectativa.

Tudo isto porque criamos situações e personagens fictícias, que são tão desejadas como os contos de fadas, porque pensamos que aquela pessoa como amiga nunca teria uma atitude semelhante, porque às vezes preferimos acreditar na fantasia e no que queremos idealmente para nós, porque acreditamos merecer mais e não o que nos dão. Porque vemos aquela pessoa como nós queremos que ela seja e não como realmente é.


Se não esperarmos demais, não nos desiludimos... E se esperarmos o aceitável? Pois, são conceitos relativos, não são? Às vezes sentimos que esperamos apenas o "normal" e lá vem a Desilusão a caminho....

Mas se nos centrarmos mais nas outras coisas, nos outros e no que pensam, no que dão e parecem ser... temos mais probabilidade de nos desiludirmos do que se nos centrarmos em nós, no que queremos, somos e pretendemos dar. Assim a expectativa em relação aos outros e outras coisas não cresce, não importa tanto, não provoca tantas nódoas negras.


Criarmos expectativas faz parte de nós, como figurinhas andantes, falantes e "relacionantes" neste planeta. As desilusões fazem-nos crescer uns bons centímetros por dentro, e às vezes precisamos de várias para que o crescimento seja notório. E, chegados a um certo ponto, tornam-se desnecessárias e sem propósito... essas são as que temos de evitar.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Chuva

Os meus dias têm sido assim, chuvosos. O som da chuva deprime-me, a forma como corre faz-me escorregar e sentir o chão pouco seguro. Coloco-me em causa.
Tem chovido muito por estes lados e a nuvem que teima em pairar aqui por cima não quer ir embora.
Desculpem-me os que estão perto de mim, porque a companhia tem sido péssima...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Blue


Nexta noite de sexta feira, só me apetece ouvir algo profundo, poderoso e melancólico como Gotan Project. Apesar de o dia ter corrido bem, o pôr do sol trouxe-me alguma tristeza e toques de cinzento e frio. Sinto o meu corpo a deixar-se vencer pela dorzinha de garganta que apareceu ontem a espreitar, e a minha mente pesada de recordações que desejo apagar. Não encontro o sorriso, teimo em travar o olhar cansado de ilusão. Aqueço as mãos geladas com a respiração lenta. Engulo em seco um mal estar que não consigo explicar. Viajo para longe e a cabeça não se acanha em latejar insistentemente. Mais um bocadinho e deixo de estar sozinha, o mimo cura. Just feeling a little blue...


domingo, 28 de outubro de 2007

Castelo de Areia

Quando me consigo abstrair das rotinas diárias, por vezes penso na forma como agimos enquanto seres por quem o tempo passa a um ritmo mais ou menos acelerado, consoante a nossa vontade e necessidade.


Por um lado, temos tendência a viver numa insatisfação constante, a querermos sempre mais e melhor, às vezes mais no plano material (ter um carro melhor, uma casa melhor, roupas melhores, etc) do que no nosso desenvolvimento enquanto pessoas. Por outro lado, também identifico com frequência a tendência à acomodação, ao conforto de não se fazer nada mais para além das obrigações mínimas (em casa, no trabalho, na relação com os outros) e a manter a vidinha de sempre porque já estamos habituados, porque temos medo de mudar, porque temos medo que corra mal, porque se foi sempre bom assim, para quê mudar?


Consigo identificar estas duas facetas em mim própria, naquilo que vivi e quero viver, e encontro-me tantas vezes a ponderar sobre o futuro e o passado, que quase me esqueço do presente.


Utilizando uma expressão muitas vezes usada pelos mais velhos, "se soubesse o que sei hoje" teria feito algumas coisas diferentes no meu passado. Não é que me prenda a isso, não é que me arrependa do que fiz, sinto-me bem com o meu percurso, mas é claro que podia ter feito mais e melhor, gostava de ter "vivido" mais.


Inevitavelmente, isso faz-me pensar no futuro, naquilo que quero fazer, no que me trará satisfação pessoal e profissional, nos meus objectivos de vida... Era tão bom se pudéssemos consultar a bola de cristal do nosso futuro, pelos menos por três vezes... Eu usava um desses cartuchos agora, para saber o que vou saber no futuro, para saber que opções devo tomar, para saber se sigo a intuição ou a razão mais ponderada. Não me quero arrepender do que não fiz.


Enquanto isso, nos últimos tempos tenho vivido o presente em pause ou slow motion, deixando-me levar como uma garrafa perdida em alto mar, com uma mensagem importante no seu interior, na expectativa quanto ao seu destino (deve ser por isso que tenho dormido mais!).

Mas se tenho passado os dias num ritmo mais lento, obedecendo apenas às rotinas, no meu interior sinto os pensamentos a voarem à velocidade da luz (se acham que escrevo muito e ao pormenor, se espreitassem os meus pensamentos assustavam-se!), num turbilhão que me desorganiza e me deixa presa neste limbo entre a vontade de arriscar, de mudar e viver muito mais para além da vidinha, e a necessidade tremenda de estabilizar e sentir que tenho algo de que me posso orgulhar, de viver prosaicamente em família e numa carreira que garante o bem-estar suficiente.

E são tão fortes estes pensamentos que me assolam à cabecinha, que me vejo em dois filmes no futuro, cada um retratando uma dessas vidas... que me parecem incompatíveis.


Porque é que os sonhos de adolescente, ingénuos e utópicos, se desvanecem, se há quem consiga ir para o mundo ajudar quem precisa? Porque é que é não podemos ter a aventura, o trabalho gratificante, as viagens e a casa, os filhos e a relação estável simultaneamente?


Não sei se está na hora de assentar os pezinhos na terra e despedir-me dos castelos de areia ou de subir mais alto...


A verdade é que não temos as sete vidas dos gatos e, como diz uma querida amiga, "só cá andamos cerca de 80 anos..."

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Intuição



"Intuição, em filosofia, é o nome dado ao processo de apreensão racional não-discursiva de um fenómeno ou de uma relação. Se a razão discursiva se caracteriza por um processo paulatino que culmina numa conclusão, a intuição é compreensão directa, imediata de algo."
Fonte: Wikipédia



Ultimamente tenho pensado bastante na minha intuição, tendo em conta a ocorrência de alguns acontecimentos algo estranhos, coincidências (ou não...), sonhos, pressentimentos que se confirmam. Não é raro pensarmos numa pessoa, num acontecimento e isso realmente acontecer (pelo menos em certa medida), e associarmos isso a uma coincidência surpreendente. Mas quando começa a acontecer várias vezes... digamos que dá que pensar! (uhh... spooky)

Tenho tido vários espisódios deste género, desde sonhar com uma data de um assunto importante e confirmar que a data era a mesma na "vida real" (tenho de jogar no euromilhões!), a pensar que iria ver naquele dia uma pessoa com quem não estava há bastante tempo e encontrar-me com ela por acaso, a lembrar-me, a caminho do trabalho, de assuntos esquecidos que fiquei de conversar com colegas há muito tempo e, surpreendemente, falarem-me disso justamente nessa manhã... enfim, estas e outras situações que me fazem pensar na minha intuição e recear os pensamentos negativos. Sim, porque os pesadelos tornam-se duplamente desconfortáveis se acreditamos neste tipo de "pressentimento".

Nestes casos, prefiro nem pensar muito na situação, porque acredito que os pensamentos negativos atraem energia negativa, logo, acontecimentos negativos. Quando estamos mal, quando pensamos negativo, tudo à nossa volta sente isso, a tensão, a preocupação, a carga negativa... e tudo o que nos rodeia age de acordo com isso (não estão à espera que vos respondam com amabilidade se forem agressivos, pois não?).


Manter o pensamento positivo nem sempre é fácil, tendemos a centrar o nosso pensamento no que não gostamos, não queremos, não concordamos, na nossa vida, em nós, nos outros, em vez de pensarmos no que queremos melhorar exactamente, nos objectivos, na parte positiva...

Será que são os pensamentos que atraem os acontecimentos ou os acontecimentos que provocam os pensamentos intuitivos?


Mas voltando à intuição... Por mais racionais que sejamos, a intuição não deve, de todo, ser ignorada! Ela faz parte da nossa percepção imediata, da informação sensorial que recebemos do que nos rodeia... e às vezes surpreende-nos! Não a desvalorizo, só por considerar que não me dá factos reais e concretos, por ser menos objectiva. A intuição pode ajudar a esclarecer situações complexas, a clarificar desconfianças, a percepcionar mal estar no outro, a sentir que estamos em sintonias diferentes numa relação, que apesar de nos dizerem uma coisa, mostram outra completamente diferente, ajuda-nos a interpretar o comportamento não verbal de forma tão preciosa como uma medição mais científica e, mais importante que tudo, ajuda-nos a decidir, a seguir um de diferentes caminhos que se colocam à nossa frente. Sem impulsividade nem emotividade, mas como auxílio à ponderação e à rapidez de acção.


Acredito na intuição... talvez como um sexto sentido (estereotipado como pertencente mais às mulheres... que o desmintam os homens!) que nos guia e ajuda a interpretar.


E como dizia o génio...


"Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo - o único caminho é a intuição"
Albert Einstein

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Não me apetece

Fim de semana com muito trabalho. Semana com muito trabalho, trabalho diferente, num sítio diferente, com pessoas diferentes e actividades interessantes. Ontem, trabalho até às tantas nesse sítio diferente onde se passa a actividade interessante. E eu, parva, não tenho forças para conversar, para rir e me sentir bem. Tento disfarçar. Não, não quero falar com os amigos e explicar o que sinto. Ando um cadito amarga, sem paciência. Hoje, reunião de mestrado que correu mal pra caraças. Apetece-me desistir e morrer na praia, como morri há umas semanas. Não almocei e fui trabalhar até ser preciso. Era preciso trabalhar em casa, mas não me apetece. Sinto-me asténica, sem vontade... Tudo é energia à minha volta menos eu. Não, não tenho de reagir. Estou cansada, exausta. Deixem-me estar, que não me apetece. Um dia destes acordo. Mas agora não me apetece.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

É mais fácil...

É pena que a natureza humana seja tão básica e primária, tantas vezes. As experiências que já vivemos no passado, a nossa educação e o modo como se desenvolveu a nossa personalidade influenciam a nossa visão do mundo. Encaramos as situações da vida com uns "óculos" só nossos, muito próprios e que às vezes podem estar mal afinados, logo, dão-nos uma visão algo distorcida da realidade. Todos nós distorcemos a realidade. Todos, sem excepção. Distorcemos as situações da forma que mais nos convém, que mais convém aos que nos são próximos. Por isso é que há várias versões da mesma história, muitas vezes. Quanto mais impulsivos formos ao analisar as situações, mais tendemos a montar o cenário que nos convém, sem analisar o resto, sem contextualizar, sem pôr a hipótese de uma explicação diferente. Fazemos tantas vezes isso, quando estamos magoados, irados, emotivos...

O que me tira do sério são os sabichões e sabichonas que têm a mania que sabem o que a vida é e têm sempre conselhos moralistas nos bolsos das calças, para dar e vender. Assumem, interpretam, aconselham, tiram conclusões facilmente, um espectáculo!


Claro que é mais fácil julgar, assumir, descontextualizar, criticar quando temos uma parte incompleta da informação. Dá menos trabalho... É mais fácil atribuir a culpa aos outros, a alguém distante, ou a quem vemos a cara mas sobre quem não sabemos nada. É mais fácil pintar um quadro negro e "enfeiar" o outro que não me é nada e não conheço. É mais fácil acreditar que o outro age mal e envereda por desvios inconsequentes. É mais fácil arranjar um bode expiatório para minimizar a nossa dor, quando às vezes o problema não está fora de nós. É mais fácil acreditar no mais fácil!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Stress

Estou em stress! O tempo está a passar, a altura crítica aproxima-se, a ansiedade do momento decisivo antecipa-se, torna-se cada vez mais difícil gerir o cansaço e recuperar as energias.

O que vale é que nem sempre o stress é negativo, muitas vezes serve-nos de força impulsionadora para atingirmos os nossos objectivos e nos realizarmos. O termo stress significa literalmente apertar, comprimir, restringir... é assim que me sinto.

Sentimos stress quando estamos perante uma situação em que percepcionamos que o grau de exigência dessa circunstância é superior à nossa capacidade de resposta, ou seja, aos meios de que dispomos, sociais e pessoais, para a ultrapassar com êxito. Existem várias formas de reagir perante o stress e os efeitos são diversos. Uma situação encarada como stressante pode ser uma ameaça, um dano, ou um desafio. No meu caso, é um desafio, porque acredito que sou capaz de ultrapassar a exigência da situação com as minhas capacidades, estou motivada e a trabalhar para isso! A vida sem stress também pode ser um stress... É assim a natureza humana.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Encontros e Desencontros

Já pensaram que, se não estivéssemos naquele sítio, naquele momento, poderíamos não conhecer determinadas pessoas na nossa vida? Poderíamos não ter o prazer de usufruir da companhia de certos amigos, amores ou conhecidos no presente? Será mesmo que o destino nos aproximaria dessas pessoas importantes novamente? Ou essa oportunidade passaria para sempre despercebida? Acredito que construímos o nosso destino, através das nossas escolhas, decisões e muitas vezes da nossa persistência. Mas há alturas em que parece que não controlamos assim tanto a vida, que o "destino" nos prega partidas, nos desvia do caminho desejado, nos cancela expectativas que ansiosamente alimentávamos com carinho... Será que há sempre uma "razão maior" para o caminho ser repleto de surpresas, tantas vezes indesejadas? Ou serão apenas as "ironias do destino" a funcionar com a sua pontinha sádica? Lidar com o querer e não ter, com o querer estar e não poder, com os encontros e desencontros do destino não é tarefa fácil... Por vezes queremos muito estar em determinado sítio e não podemos e quando lá chegamos... queremos estar no anterior... ou nos dois ao mesmo tempo, porque ambos são importantes e desejados. Complicado! Quero imenso ir para Moçambique, mas vou ter de viver alguns desencontros... ausência no aniversário, no casamento de amigos, na mudança da minha mana para Amesterdão (já não é a primeira vez que não estou quando começas uma nova fase, sorry Sis), ocasiões especiais, partidas e chegadas desencontradas... Resta esperar que as incompatibilidades do destino ensinem sempre alguma coisa... a decidir, a aproveitar, a recordar, a viver.

domingo, 27 de maio de 2007

Trovões

Quero escrever, mas não consigo. Tenho de ir ao ginásio, mas não me apetece. Preciso de concentração, mas o que me faz mal invade-me o pensamento. Dói-me a cabeça de tanto pensar, os olhos pesam-me, mas não tenho sono. Os músculos das costas estão tensos, tenho as mãos e os pés gelados como se fosse Inverno. Se começasse a escrever tudo o que me vai na alma, ficaria ainda mais triste e angustiada, chamaria até mim de novo as emoções más que teimam em agarrar-me e das quais de vez em quando me consigo soltar. A noite de ontem foi divertida, esforcei-me para relaxar e até consegui, mas na "back of my mind" eles continuavam lá, os comentários malditos e o que me fizeram sentir. Quero desvalorizar, quero relativizar e minimizar, afinal, não sejas parva, tanta gente com problemas a sério, com doenças graves e sem emprego...Não morreu ninguém! Sei que vai passar, que vai atenuar, que melhores tempos virão. Mas agora tenho vontade de desistir, de mandar à merda esta merda toda, por ser tão difícil remar contra a maré, remar quando nos tiram os remos e nos dão "cacetada" ao mesmo tempo. Já me ponho em causa, às vezes penso se não serei eu que estou errada. Sei que não devo, sei que não posso. Chega de lágrimas. Vou obrigar-me a reagir, vou transformar tudo isto em motivação para me dar força e continuar. Não queria deixar um post tão negativo, mas pensando bem, o mundo (pelo menos o meu) não é assim tão perfeito para escrever só coisas bonitas e boas. De vez em quando aparece uma trovoada pelo caminho...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Sorrisos

Sorriso. É definido pelos dicionários como um substantivo masculino que designa o acto de sorrir; expressão facial alegre que manifesta boa disposição, agrado ou aprovação; riso leve de satisfação, de desprezo ou ironia; aspecto amável. Há muito mais a dizer sobre um sorriso, o sorriso, ou sobre o acto de sorrir...

Um sorriso tem um poder tão forte, pode conter nele tanta emoção e, no entanto, é difícil escrever sobre este tema. Há tantos sorrisos diferentes em cada um de nós, cada um com um significado tão único e especial, manifestados muitas vezes sem termos consciência, de forma espontânea e ingénua, outras de maneira premeditada, forçada e artificial.


Há o sorriso sereno, que expressamos quando apreciamos um pôr do sol sobre o mar, ou simplesmente quando pensamos em coisas que nos trazem tranquilidade; o sorriso amarelo, o tal forçado, em situações em que o politicamente correcto prevalece e temos de cumprimentar com um sorriso quinhentas mil pessoas, ou então quando temos de sorrir por mais que nos custe, porque não vamos "à bola" com o fulano mas tem mesmo de ser, por cortesia e boa educação. O sorriso derretido é meigo, parecido com o sereno, mas a expressão do olhar é bem diferente e acontece por exemplo quando olhamos ternamente para um bebé, ou quando um pai babado se deixa conquistar pelo sorriso do pequenino.
Isto leva-me ao sorriso de bébé, aquele que todos os miúdos oferecem às resmas, espontâneo e sempre alegre, mas que os graúdos também sabem mostrar, quando estão muito felizes e despreocupados. O sorriso apaixonado é uma mistura destes dois últimos, derretido, meigo, muito feliz e espontâneo...quase impossível de disfarçar, porque aparece sem intenção, muitas vezes. E o sorriso tonto, quando pensamos "ahaã, não percebi... é comigo?", ou quando começamos a ficar alegres depois de umas tequillas ou caipirinhas (o que preferirem!) ou ainda quando nos rimos por tudo e por nada. O sorriso irónico às vezes é malicioso, outras acompanhado com um ar de gozo, normalmente com a expressão dos lábios mais acentuada de um dos lados da boca e os olhos semicerrados, mas também se pode manifestar com as sobrancelhas arqueadas, com uma atitude surpreendida, do género "Jura?! A sério?" . Este último também é parecido ao sorriso surpresa!, mas este é mais espontâneo, aquele que usamos quando temos uma (boa) surpresa, como um presente que gostamos, um telefonema inesperado de alguém com quem não estamos nem falamos há muito tempo.

O sorriso surpresa é poderoso, pode levar à lagrimita, dependendo do grau de importância da surpresa... normalmente ficamos boquiabertos, quando é uma grande surpresa! O oposto deste deve ser provavelmente o sorriso enfadado, a continuação do sorriso amarelo, mas mais agravado, porque aqui já estamos a apanhar uma seca desgraçada da melga insuportável que não pára de falar há 3 horas e não há escapatória possível! Neste é impossível mostrar os dentes...


Ao contrário do sorriso de orelha a orelha, em que só não mostramos os do siso, por isso mesmo, porque são sisudos e assim deixava de ser sorriso de orelha a orelha!! (ok, já sei, estou a rir-me sozinha...eheh) Dou por mim a usar muito este, quando estou realmente feliz!





O sorriso tímido é só para alguns, não pensem que todos conseguem sentir-se constrangidos quando conhecem novas caras, envergonhados por nada e por tudo...Por acaso eu até o uso bastantes vezes, se quiserem, ensino, mas requer muito treino! Podem não mostrar os dentes, ou então só um bocadinho, mas escondem logo a seguir, normalmente a olhar de baixo para cima e um ligeiro encolher de ombros...




E o sorriso nervoso, sim, aquele que nos aparece estampado na cara quando falamos para uma audiência, quando esperamos "ansiosamente" pelo exame ginecológico, ou quando caímos pelas escadas abaixo e a roupa rasga-se (Nunca me aconteceu, mas ocorreu-me como situação embaraçosa!)? Mais vale sorrir para não chorar! Este é quase um não-sorriso!


O sorriso charmoso é muito giro, claro que costumo identificá-lo mais nos homens, é o sorriso Martini Man, engatatão sem exageros, seguro e com estilo, enfim, irresistível!


Já as mulheres, habitualmente munem-se de um sorriso sensual, de lábios pintados e brilhantes, atraente mas simultaneamente subtil e discreto (às vezes). Normalmente é acompanhado por um clima de troca de olhares e um posicionamento dos lábios que traduz uma expressão ligeiramente séria, quase como um suave beijo.

O sorriso de puto reguila também conquista completamente, com um ar ingénuo e malandro, que sabe que mesmo com as traquinices a pessoa se rende e derrete completamente... Adoro!





Também gosto muito do sorriso doce, de menino ou de menina, meigo e muito especial... parecido com o sorriso derretido...


Por fim, o secret smile pode ser qualquer um destes, uma mistura de vários, único em cada um de nós e que apenas alguns conhecem, em ocasiões muito particulares. Como diz a música dos Semisonic: "Nobody knows it, but you've got a secret smile, and you use it, only for me..."



Sorriso, sonrisa, sourire, smile, leende, o importante mesmo é sorrirmos, sabe tão bem oferecermos a alguém que está triste um sorriso confortante e ainda melhor receber outro de volta! Um sorriso é como um raio de sol que nos aquece a alma num dia cinzento, e há dias em que bem precisamos desse raio de sol, daquele sorriso!





"Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com
muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa,
ficar
nu dentro daquele
sorriso.
Correr, navegar, morrer
naquele sorriso."

Eugénio de Andrade

sexta-feira, 23 de março de 2007

Porquês

Hoje estou muito reflexiva... deve ser porque o dia foi e está a ser longo. Hoje pensei, questionei, reflecti, duvidei, ponderei, refilei, conversei e duvidei mais do que o habitual... sobre o que quero fazer, o que vou fazer, o que devo fazer, sobre os meus objectivos pessoais, de carreira, de vida. Hoje tinha muitos "porquês" na minha cabeça. Normalmente sou assim, penso muito, reflicto muito sobre as coisas... às vezes é bom, outras dá mau resultado. Não pensar muito sobre os assuntos, agir em vez de parar para questionar se estamos a fazer bem ou mal, pode ser óptimo para nos conduzir para a frente, para progredirmos. Mas às vezes também pode ser uma fuga, uma necessidade de ocultar ou esconder pensamentos e emoções, que sobem à tona mais cedo ou mais tarde. Questionarmo-nos sobre tudo isto, sobre as decisões que tomámos e que os outros tomaram, sobre as nossas acções e as intenções dos que nos rodeiam, sobre o que sentimos e os outros mostram é complicado... dá trabalho, suscita mais dúvidas, origina mais questões, mas também nos obriga a colocar a hipótese de várias soluções, de diferentes perspectivas e formas de encarar o mundo. Quando era mais nova normalmente não questionava muito, não era uma miúda curiosa como a minha mana traquina que tinha mil porquês e respostas prontas na ponta da língua, era a primeira a descobrir como as coisas novas funcionavam lá em casa... (e a primeira a estragar também!). Eu era mais "sossegada", aceitava sem questionar muito e a acreditar plenamente nos outros e no que me diziam. Talvez por falta de curiosidade, por receio de me manifestar e fazer má figura, por alguma timidez em situações novas, mas sempre pensando e reflectindo imenso. Sou, de facto, uma pessoa mais introvertida e isso não é (pelo menos para mim!) um defeito, apenas um traço, com vantagens e desvantagens. Sou uma introvertida cautelosa, ponderada e calma numas situações e impulsiva, emotiva e com gosto em arriscar noutras. Adoro um bom serão no sofá da sala a ver um filmezito, mas também vibro com uma saída à noite para dançar com as amigas! Sou resistente à rotina, mas fico em pulgas por experimentar uma actividade ou desporto radical! Aprendi e evolui, passei a dizer mais o que penso, a agir mais, a manifestar-me mais... sem tanto receio da crítica, sem tantas inseguranças. A prova disso é este post e este blog! Do nascer ao pôr do sol, quero dizer o que penso e sinto e concretizar os meus objectivos com convicção, espontaneidade, ponderação e bom senso, sem receio da crítica (ela também pode ser positiva...), porque quero e tenho de corresponder às MINHAS expectativas.

domingo, 18 de março de 2007

Domingo

Cheguei há pouco a casa, saí hoje de serviço ODB. Um serviço com uma carga triste e pesada, por ter visto nos olhos de uma mãe a tristeza mais profunda que vi até hoje reflectida nos olhos de alguém...a morte de um filho. Não consigo imaginar porque não sou mãe, ainda, mas mesmo que fosse, deve ser inimaginável, mas dilacerante, suponho... É quando acontecem coisas destas que pensamos que os nossos problemas são tão relativos e não controlamos nada nesta vida! Quando saí da base ainda fui tomar um café com a amiga Sílvia Johnny, que estava por perto e enviou um sms para matarmos saudades. O tempo passa a correr quando estamos com quem gostamos e há sempre conversa por tudo e por nada, por falarmos sobre o essencial da vida ou cortes de cabelo... e lá se passou mais de uma hora! Talvez por ter ficado tão pensativa depois do serviço, quis regressar a casa pela marginal, como gosto de fazer às vezes nos dias de folga. Está um dia bonito, e acabou por ser um passeio de carro agradável, com cheiro a maresia, o mar a dar as boas vindas ao sol que brilhava no seu reflexo, a musiquinha tranquila de John Mayer a tocar, e eu simplesmente a apreciar a quantidade considerável de pessoas que aproveitam o domingo na praia ou a passear pela marginal, a pé, de mãos dadas ou a gesticular ideias, de bicicleta ou estendidas ao sol, sozinhas ou com os pequeninos. O café e o passeio ajudaram-me a passar para "outro registo", mais bem disposto, apesar do cansaço. E ainda bem, porque agora já apetece pôr-me bonita para o casamento a que vou daqui a pouco...Vai ser difícil disfarçar as olheiras, mas vai saber bem voltar a ver um casal a celebrar o mais importante, o Amor.