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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bola de Sabão



Beatriz sentia-se constantemente cansada. Ainda não tinha entrado na "casa dos 30", mas já tinha vivido mais do que desejaria, nos seus 27 anos de idade. Andava desmotivada, sem vontade para nada de especial... mas envolvia-se em cursos, actividades e projectos sem fim, porque tinha imensos interesses e gostava de estar ocupada. Gostava de estar em todo o lado e não estar em lado nenhum... Tinha sempre um sorriso simpático para os outros e adorava observar a interacção dos que a rodeavam... mas detestava ser observada. Bastava-lhe ser observada por si própria, ser analisada minuciosamente com uma auto-crítica implacável, sem dar hipótese a alguém que amenizasse tão duros juízos. Afastava-se, calava-se e reflectia "apenas"... sobre a sua necessidade de se proteger. Sem dar uma hipótese sequer a Alex, o seu paciente namorado que fazia tudo para a fazer feliz. Alex não se sentia cansado... era incansável nos seus esforços para compreender a sua "Bia". Esperava sempre que a sua querida decidisse sair da redoma e que fosse ela própria... Incentivava-a a isso. "As pessoas gostam de ti exactamente como tu és...". "Não me apetece...", respondia ela. "Não me apetece conversar, estar com os nossos amigos e conviver... Deixa-me estar no meu cantinho." "Um dia mascaro-me de bola de sabão invisível... e desato a voar para dentro de mim própria sem ninguém me ver!", completou Bia, parecendo uma menina pequenina, até no tom de voz suave, mas espevitado. "Tontinha... eu não deixo!" - concluiu Alex com um ar carinhoso e comicamente ameaçador - "Rebento a bola de sabão com um sopro, e tu cais no meu colo para sempre!". Ela deu uma gargalhada espontânea, que iluminou o seu rosto de miúda, antes encoberto pelas olheiras do cansaço... Iria precisar da sua bola de sabão, claro, mas isso não a faria sentir-se assim tão leve... Talvez percebesse isso um dia destes.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Que bela maneira de manifestar o stress...

Desde 4ª feira que ando com dores muito fortes na cervical. Cheguei a ficar com movimentos algo robóticos, a cabeça de lado com um ar um "cadito" snob porque o pescoço não mexia autonomamente e levei uma injecção intra-muscular que me fez ver estrelas. O frio não ajudou e a ausência de descanso também não. " No fim de semana melhoro de certeza..."

Pois é, o fim de semana está a acabar e as dores são mais que muitas. Eu diria que existem formas bem mais interessantes e menos dolorosas de demonstrar o stress, don't you think?

domingo, 16 de novembro de 2008

Quem disse que era fácil comprar um pijama?

No meio de um fim de semana relâmpago, uma vez que hoje, domingo, já estou de serviço, de volta à minha "escolinha", decidi ir comprar um pijama novo que já me fazia falta. Claro que tinha imenso que fazer, entre lavar as toalhas, passar as t-shirts, fazer o trabalho de inglês ou estudar para direito, ou, mais importante e apetecível ainda, aproveitar o pouco tempo com o meu querido de formas mais interessantes... mas precisava de um pijama!! E lá fui eu a arranjar desculpas pelo caminho para reduzir a minha dissonância cognitiva pelo "dever das coisas importantes": "Aproveitamos para espairecer... vamos dando uma vista de olhos nas prendas para o Natal... faz bem sair de casa!" Enfim, até teria sido assim se a compra tivesse sido rápida e fácil, mas não foi o caso!


Ora bem, decidi que na minha próxima vida vou ser estilista e desenhar pijamas, roupa interior e afins! Na verdade não existe muita escolha para além da Women' Secret e da Oysho, a um preço que não tenha efeitos oftalmológicos, isto é, que não custe os olhos da cara ou nos ponha os olhos em bico!! Ehehe


É que no fundo das minhas gavetas cerebrais algo desarrumadas, naquelas mais recônditas e criativas, eu consigo imaginar modelitos de pijamas lindos, sensuais e confortáveis, a um preço jeitoso. E ainda são alguns, os modelos que desfilam na passerelle da minha imaginação, porque não consigo gostar de mais de 30% das opções que estas lojas oferecem! Ou são desconfortáveis, quentes demais, frescos demais, infantis demais ou com tantos pormenores que fico na dúvida se estou à frente de um vestido para sair à noite ou daquela roupinha que serve pra nos metermos na cama confortáveis... bem, tenho de admitir que para mim tem esse objectivo, mas também não gosto de dormir desmazelada, com as calças de fato treino à pescador e a t-shirt rota com 15 anos.

Como nunca tinha reflectido sobre isto, fiquei a conhecer-me melhor quanto ao meu gosto pelos pijamas: já passei a fase dos modelos infantis com corações e ursinhos fofinhos cor de rosinha e talvez ainda não tenha chegado à fase do cetim e renda para todos os dias. Bonecadas q.b., bastante conforto com algum estilo e feminilidade.

O resultado da procura pouco pragmática do pijama, após saltitos entre as duas lojas e alguma indecisão entre um modelo mais girly e outro mais crescidito... foi imenso tempo perdido mas um pijama engraçadito!! Não há paciência Jasmim!

domingo, 9 de março de 2008

Surreal


Há cerca de uma semana atrás, numa bela sexta feira, tive um episódio surreal cá em casa.





Eu estava no trabalho, o F. em casa, quando me liga a seguir ao almoço, muito aflito a dizer que está numa espécie de filme de terror... estavam milhares e milhares de abelhas junto às janelas da cozinha e da sala! Por sorte tinha todas as janelas fechadas, mas a visão do que se passava (e o barulho que faziam também!) era um cenário assustador, mesmo para quem passava ao longe na rua.

O F. decidiu ir lá abaixo ver se as danadinhas estavam no resto do prédio também ou só junto às nossas janelas. Quando me ligou novamente, não podia ter sido menos tranquilizador... "Não vais acreditar, agora as abelhas estão todas, todas concentradas no tecto da nossa varanda da sala, que está completamente preto!!". Era altura de fazer alguma coisa, ligar para os bombeiros, a protecção civil, empresas de desinfestação, alguém para nos ajudar! E eu só pensava "mas porquê a minha varanda?? Não tenho lá nada que atraia as abelhas! Não vivo no campo!"

O telefonema seguinte ainda me deixou mais preocupada: "Liguei para várias empresas de desinfestação, ninguém pode cá vir tirá-las porque as abelhas são uma espécie protegida!!". Foi aqui que toda a minha calma desapareceu completamente:

Eu: "O quê?? Mas como é que é possível? Então e quem é que nos protege a nós? Liga para a protecção civil, para os bombeiros, isso não pode ficar assim!"
F: "Aconselharam-me a ligar para um apicultor, já liguei para vários números das Páginas Amarelas mas só podem vir na segunda feira! Vou continuar a tentar para outros números."

Entretanto o F. lembrou-se que os pais de um amigo eram apicultores e ligou para saber se nos podiam ajudar. Também só podiam vir na segunda-feira porque iam de fim de semana "pr'a terra", mas disseram que já nos ligavam, podia ser que cá conseguissem passar antes de seguirem viagem... alguma esperança, finalmente!

O fim de tarde absorveu-nos ainda mais energia, a mim, que já estava com uma faringite, ao F. pela espera e o stress da situação, e às abelhas que decidiram aninhar-se numa meia bola (do tamanho de uma de futebol) lá no tecto apetecível.

O F. pôs uma hipótese muito provável para a escolha da nossa varanda pelas fazedoras de mel: o chão da varanda tinha sido lavado nesse dia de manhã, com o detergente Ajax com cheiro a flores!!

Por volta das 20h, os simpáticos pais do G. apareceram com o equipamento completo de apicultores, fatos, caixas, etc. Estavam bastante entusiasmados, mas nós observávamos de sítio seguro e fornecíamos o material necessário do lado de dentro da casa. Com paciência e habilidade, estavam quase todas (ficaram só umas 7 ou 8 na varanda) reunidas numa caixa própria, completamente cheia e com capacidade para cerca de 25 mil abelhas. 25 MIL ABELHAS! Na foto parecem bem menos, mas ao vivo e a cores foi assustador!





Já sabem, não usem detergente floral em espaços exteriores!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Afinal não era por ali...

A caminho de casa, no trânsito por causa de um acidente no Nó de Pina Manique, mas em andamento, com a janela do lado do pendura aberta, vira-se uma senhora na faixa ao lado para mim:

Senhora: "Olhe fáxavor, pra ir pra Alfragide é por aqui, ou já passei a saída?"

Eu: "Não, é mais lá à frente, a saída está indicada com uma placa"


(continuei a andar, mas a senhora queria ter a certeza... Nesta altura já estava o carro de trás a fazer-me sinais de luzes e a buzinar, como "bom" lisboeta que é, porque deixei 2 metros de espaço entre o meu carro e o da frente, para poder responder à senhora, em vez dos habituais 10 cm que os automobilistas insistem em manter )


Senhora: "É que eu quero ir ao IKEA... a placa diz zona comercial?"

Eu (já com uma certa pressa): "Sim, diz, diz!"

Senhora (com um ar muito agradecido): "Obrigada!"


Fui-me embora, a refilar internamente com o condutor impaciente que ia atrás de mim, quando me apercebi que não tinha dado a indicação mais fácil... Afinal a mulher tinha de virar à direita para a CRIL (onde não dizia Alfragide) e nessa estrada é que havia uma placa a dizer "Alfragide - Zona Comercial". Ohhhh e agora, como é que dizia à senhora?? 'Tadinha...enganei-a!! OK, não foi por mal, porque seguindo em frente também existe uma placa a dizer Alfragide, tá?? Só não é o caminho mais curto para o IKEA... Todos os caminhos vão dar a Roma, certo? Neste caso, ao IKEA! Ups...

domingo, 12 de agosto de 2007

Macaco de Metal ou Peluche?

Para não perder muito tempo, resolvi fazer a depilação no meu Health Club, já que ia ao ginásio, aproveitava a boleia. Já tiveram a sensação de que às vezes os sítios mais XPTOs são os piores nalgumas coisas? O "Wellness Center" tem condições excelentes, música ambiente, fui bem recebida, deram-me um roupão e uns chinelinhos para ficar mais confortável, tudo óptimo... até entrar no gabinete com a esteticista! Tinha um ar de snob profissional, nunca olhou para a minha cara, fez o estritamente necessário como profissional de estética (parecia que estava a grelhar um bife com ar de frete!) e só abriu a boca para dizer "ponha-se mais de lado", "dobre a perna", "pode virar" e "pronto, já está". Foi um espectáculo, talvez dê para antecipar como será daqui a uns anos, quando forem os robots a substituirem as esteticistas, mas mesmo assim, acho que um robot conseguia ser mais simpático!!

Esta experiência super hiper agradável fez-me lembrar a experiência na área da Psicologia comportamental que Harlow fez com as crias de macacos: colocou um macaquinho numa jaula com uma macaca feita de metal que tinha um sistema para dar leite e outra macaca que não dava alimento mas era de peluche. O macaquinho alimentava-se na macaca de metal, mas passava a vida ao pé da macaca de peluche e estabeleceu um vínculo com esta. Ou seja, procurava algum calor, afecto e protecção junto da macaca de peluche.


Não me queria sentir propriamente "protegida" durante uma simples depilação, mas o ser humano é, por natureza, um ser social e numa situação que proporciona alguma vulnerabilidade, gosto de me sentir minimamente à vontade. É pena que alguns profissionais que estão em contacto com as pessoas, por vezes (e alguns) não consigam estabelecer uma ligação empática e confortável para quem procura o serviço. Se calhar estou mal habituada com a minha esteticista habitual, que é simpática e atenciosa, que é o que contribui muito, para mim, para ser uma boa profissional. O resultado é simples: nunca mais volto a este sítio para uma depilação! Dahhh

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Atendimento ao Público

O Feriado foi bastante ocupado, de manhã fui ao IKEA comprar uma estante que preciso, depois ao Oeiras Parque comprar uns presentes de aniversário, ainda houve tempo para uma ida ao ginásio e ao fim da tarde, dei uma arrumação geral no meu roupeiro.

Mas voltando às compras, todos nós gostamos de ser bem atendidos nas lojas, certo? Sei que há clientes muuuuiiito chatos e inconvenientes, provavelmente até malcriados. Mas também é verdade que, apesar de existirem pessoas muito simpáticas e profissionais no atendimento ao público, não é raro encontrarmos pessoas com pouca ou nenhuma formação para esta área, desmotivados, mal-humorados e sem paciência nenhuma para o atendimento, literalmente com cara de frete. Ó meus amigos, entendo perfeitamente que ganhem mal e trabalhem muitas horas, mas se estão a trabalhar e aceitaram o emprego, então é para trabalhar como deve ser!! E no atendimento é suposto existir um mínimo de paciência e disponibilidade. Estávamos numa loja a decidirmo-nos sobre umas bijuterias para oferecer, quando pedi ao rapaz da loja se podia ver melhor 2 artigos que estavam na montra e perguntei se havia mais alguma coisa do género, ao que ele me respondeu "Do género de qual deles??" Dahhh, eram os dois do mesmo género, pensei eu... "De qualquer um deles, tem mais artigos de bijuteria?" "É só o que está exposto!" Parvalhão, se é só o que está exposto, então dizias logo, escusavas de fazer a pergunta ridícula, se não havia mais nada... Fiquei logo "maldisposta", mais pela atitude de frete de "estou a fazer-te um favor em vender, não me chateies mais", do que propriamente pela pergunta em si. Já nem quis falar mais com o homem! A postura, a comunicação não verbal conta muito e a dele não foi a melhor... mas há piores, muito piores! Eles "andem" aí...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Oftalmologista

Tive uma consulta de oftalmologia pela manhã. Fui atendida com quase uma hora de atraso, já estava impaciente... Mas a espera compensou! O médico foi extremamente atencioso, paciente, conversador e profissional. Sim, fiquei surpreeendida pela positiva, porque, na verdade, a minha opinião sobre os médicos em geral não é assim tão positiva, antes pelo contrário, admito. Não gosto de generalizações abusivas e claro que conheço excelentes médicos, mas fiquei surpreendida à mesma. Será que esperamos demais dos médicos? Que sejam humanos, pontuais, simpáticos, mágicos, ouvintes... Alguns são mesmo!

O motivo da consulta não era grave, apenas vista cansada e dores de cabeça ocasionais (tenho uma miopia muito ligeira mas nem se justificam os óculos), mas o principal motivo até era um suposto derrame no olho direito que queria saber se era possível tirar... Afinal não é um derrame, mas um sinal!! O médico acha que não devo tirar porque até me dá graça! Não fazia ideia que se podia ter um sinal assim, estou sempre a aprender...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Ao volante...

No outro dia de manhã, ia a sair da minha urbanização de carro, quando vi um indivíduo que, ao mesmo tempo que entrava a toda a velocidade na rotunda, estava a barbear-se com uma daquelas máquinas eléctricas!! Estou fartinha de ver pessoas a falar ao telemóvel sem auricular (admito que uma vez por outra também o faço, quando estou sem bateria no auricular e mesmo sabendo que não devo), a comer, a olharem para o espelho, a maquilharem-se, a tirarem macaquinhos do nariz enquanto esperam pelo sinal verde, mas a barbearem-se!!! Essa é demais! Ainda falam das mulheres que têm o descaramento de se embelezarem com um baton ou rímel enquanto conduzem, que também acho indecente, ao menos que seja nos sinais vermelhos! Mas o episódio "fazer a barba enquanto vai para o trabalho a conduzir" é inédito...
Há com cada maluquice que se vê nas estradas...E ainda nos admiramos com a quantidade de acidentes de viação que existem! Não temos, de forma geral, uma mentalidade responsável e com o mínimo de sentido cívico e orientada para a segurança na estrada. Gostamos de arriscar, de levar as coisas aos extremos, ao limite... até um dia. Somos todos óptimos condutores, estamos sempre todos certos, os outros é que estão mal, controlamos todos perfeitamente as nossas viaturas mesmo em condições adversas... e admiramo-nos quando as coisas correm mal. Será que os radares nas estradas, as multas elevadas e os bloqueamentos de carros vão conseguir mudar, mais do que comportamentos, o que está por trás disso, a mentalidade? O que é certo é que cada um de nós devia começar por modificar a sua mentalidade, os seus comportamentos, já que é isso que podemos controlar, não os outros.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Dia do Escoteiro

Comemora-se hoje o Dia do Escoteiro e também o Dia de S. Jorge, santo padroeiro do escotismo. Por ter sido extremamente importante para o meu desenvolvimento como jovem, relembro este dia com saudade e orgulho, pelos momentos bem passados com a minha Tribo, pela formação cívica e responsabilidade ambiental que me foi incutida, pelo crescimento pessoal e desenvoltura social que me proporcionou, por tantas aventuras vividas, kilómetros caminhados, acampamentos montados e actividades planeadas! Adorei ser escoteira e considero o movimento escotista exemplar na formação dos jovens. Por tudo isto, nunca é demais homenagear o seu fundador, Robert Baden-Powell (1857-1941), que será para sempre eternizado pelo seu espírito criativo e motivador. Em 2007 celebra-se por todo o mundo o centenário escotista e o 150º aniversário do nascimento de B.P. "Deixa o mundo um pouco melhor do que o encontraste" é uma das mensagens que o escotismo tenta transmitir. Uma vez escoteira, escoteira para sempre!

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Noite Atribulada

O dia de ontem foi bastante preenchido e até estava a correr bem até ao início da noite. Quando fui para casa arranjar-me para a festa de aniversário da Patrícia, mal imaginava o que me iria acontecer nas próximas horas! Tinha um compromisso ao final da tarde em Lisboa, atrasei-me e ainda tinha de ir a casa tomar um duche e pôr-me bonita para a festa, sim, porque em princípio íamos ao BBC a seguir ao jantar! Estava com imensa vontade de dançar, estar com muitas pessoas, divertir-me.
Saímos de casa atrasados, mas num instante pusémo-nos na A5 e passados minutos, entrámos na CREL. Depois de passarmos o túnel de Carenque, passados uns metros, só oiço o Faizal dizer "Merda! Acendeu o sinal de avaria no carro!" eu respondo "Hã?? Como é que é possível? Ainda no outro dia o carro esteve na oficina!". Os segundos seguintes foram uma mistura de aflição, preocupação e irritação: " -E agora? Podemos andar com o carro assim ou paramos?" " -Estou a sentir o carro diferente, não acelera! O carro está a perder força, o acelerador não está a responder!" "-Então passa para a faixa da direita e encosta, é melhor!" "-Espera, estou a ver se dá para chegarmos às bombas de gasolina, sei que há uma estação por aqui" "-Mas ao menos encosta à direita!" "Não posso, não vês que esse "gajo" está à mesma velocidade que eu? Não posso ir pra cima dele!" "-Se puseres o pisca, talvez ele perceba que queres mudar de faixa!!" Receava que ficássemos no meio da estrada, o outro carro lá avançou e nesse momento o nosso Astra começou a "morrer" e chegámo-nos para a direita até à berma, até o carro parar completamente. " -Pronto, parou completamente! Tenho de chamar o reboque!" O Faizal já tinha os 4 piscas ligados, lembrei-lhe do colete e do triângulo, e de repente senti um cheiro esquisito: " -Não te cheira a iogurte?" "-Não, cheira mesmo a queimado... Isto deve ser grave."
Chamámos a assistência da Brisa, que chegou num instante para sinalizar melhor o carro, e o reboque, que apareceu passados cerca de 45 minutos. Enquanto isso, apareceu um carro a encostar calmamente à faixa da direita e, apesar da intenção provavelmente ter sido encostar à berma, o sr. deixou metade do carro na faixa de rodagem! O assistente da Brisa foi lá a correr e o homem lá encostou melhor o carro. Estava perdido e como viu o carro da Brisa, parou para pedir indicações! (Qual é o problema, fazemos isso quando estamos à procura de um restaurante dentro das localidades!!)
Tencionávamos ir buscar o outro carro a casa e ir ter ao jantar. O Faizal continuava muito preocupado e a ler os manuais da Opel para tentar perceber o sucedido. Ao que parece o carro tinha perdido a água toda de repente, ele estava com medo que fosse um problema de motor. Tentei consolá-lo, não podíamos fazer nada, só na segunda feira o carro podia ir para a oficina. Mais uma despesa!
O carro do reboque finalmente apareceu, com o seu condutor que mais parecia um motard, com um blusão preto e vermelho a condizer com a figura, cabelo despenteado e com a barba por fazer, descontraído, com um auricular bluetooth pendurado na orelha direita. "-Então o que é que se passou com a máquina?". Ele sugeriu levar o carro à oficina no início da semana e arranjar-nos transporte da garagem dele até casa, num táxi. Concordámos, fomos com o sr. motard no reboque e para minha surpresa ele trazia a mulher, que teve de ir no nosso carro, lá atrás! "-Mas isto não faz sentido, então a sra. vai lá atrás no nosso carro e nós vamos aqui?" "-Deixa estar, não podemos ir lá atrás, é proibido, o homem é que não devia ter trazido a mulher!" Olhei para trás e as luzes fortes da carrinha rebocadora iluminavam intermitentemente a cara séria, alongada e pálida da mulher, que tinha um olhar fixo e inexpressivo, o cabelo também despenteado e volumoso. Senti-me num filme de terror daqueles de má qualidade, que não provocam medo mas desconforto e com alguma comédia à mistura! A noite ia passando, finalmente chegámos à garagem do reboque em Queluz, onde tratámos da papelada, tirámos as coisas importantes do carro e conhecemos a Becas, a cadela Husky com um ar infeliz reflectido nos seus olhos azuis, presa por uma corrente a um canto, completamente cinzenta, até no seu focinho branco.
Sentámo-nos numa salinha à espera do táxi, enquanto a mulher do motard, que inicialmente parecia muda, começou repentinamente a comentar o programa "Bela o Mestre", que mostrava uma das raparigas concorrentes a dizer que pensava que serviço se escrevia com "c" (cerviço, claro que sim!!!).
O ambiente era estranhíssimo, na companhia daquele casal caricato. O motard simpático mas com um ar sádico, a mulher inexpressiva, de sabrinas brancas com lacinho e meias azuis a condizer com o "kispo" fechado até acima, interactiva apenas com a tv; a cadela linda mas com ar de não ser muito bem tratada, obediente, triste e submissa; nós os dois sentados muito sossegados, vestidos todos "pipis" para sair... O filme de terror surreal continuava, portanto... Já não íamos ao jantar de aniversário, apesar da vontade. Mas não me apetecia ir para casa pensar no que tinha acontecido... não podíamos fazer nada, por isso ainda queria ir espairecer. Afinal, já me tinha "produzido" para a night, não para ficar em casa ou numa garagem a ver a "Bela e o Mestre"! O táxi apareceu, já não era sem tempo... O motorista era um sr. simpático de cabelos brancos, que sabia onde ficava o Arneiro, porque vivia lá um cunhado doente.

A noite chegava ao fim, com um Happy Meal no MacDonalds a substituir o convívio no rodízio de carnes. A vontade de ir a um barzinho simpático ainda persistia mas já era tarde para ir ter com eles. O sono começava a aparecer... Fomos para casa e a pequena viagem de 5 minutos foi o suficiente para me embalar. Que noite!

sábado, 17 de março de 2007

Intelecto e Emoção


A Mulher do Cientista:


"Era a mulher do cientista mais famoso do país, mas não era feliz no seu casamento porque não sentia o marido suficientemente solícito e terno.
Certo dia, encontrando-se a mulher no quarto, a chorar desconsoladamente, o marido entrou e ao vê-la assim, disse:
- Mulher, pára de chorar. Será que não sabes que as lágrimas não passam de um pouco de água, muco, fósforo e sal?
A mulher, desencantada, olhou-o e retorquiu com ironia:
- Ah, uma lágrima é apenas isso! És um homem de mente, mas não de coração."

Uma lágrima! O que não contém e exprime uma lágrima? Tantas emoções, sentimentos, estados de ânimo, esperanças, desventuras, alegria ou dor! De nada serve o saber livresco e a erudição se falharmos com o coração. Era o Buda quem dizia: "Dezasseis vezes mais importante do que a luz da lua é a luz do sol; dezasseis vezes mais importante do que a luz do sol é a luz da mente; dezasseis vezes mais importante do que a luz da mente é a luz do coração." Não há gema tão preciosa como a sensibilidade, e assim poder fazer-se eco dos estados emocionais das outras criaturas, em vez de os ignorar ou desdenhar. O intelecto é uma ferramenta muito poderosa, mas sem emoções é como a cana-do-açúcar sem açúcar, como a madeira do sândalo que não tem cheiro."

Ramiro Calle

O ideal é procurar o equilíbrio e fazer acompanhar o intelecto da dose certa de sensibilidade e emoção, sem deixar que ela se apodere completamente da razão... Tarefa nada fácil!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Gula

Hoje foi o dia da Gula! Logo de manhã ao chegar ao serviço, a Patrícia ofereceu ao pessoal bolo de mel, que estava óptimo... Ainda de manhã, comi um "queque de maçã" acompanhado de um bom café para abrir a pestana, depois de poucas horas de sono por ter ficado a trabalhar para a tese (é raro, só mesmo sob pressão porque tinha reunião hoje com a orientadora...oops!). À tarde, à hora de saída, tivémos direito a mais um lanchinho de aniversário no serviço, com iguarias deliciosas e variadas, confeccionadas pelas próprias aniversariantes (três aniversariantes, portanto imaginem o banquete). O pessoal já se atropelava para se servir (várias vezes) do patê de atum, do arroz doce, do fabuloso "nottingham pudding" (deve ser assim que se escreve!), do chouriço assado e do queijo, enfim!! Não admira que esteja tudo a engordar... Como se não bastasse, à noite passei em casa dos meus pais para dar um beijinho à mana que chegou hoje de Munique e me trouxe um "Toblerone" gigante!! Uma das minhas perdições... chocolate! No problem...amanhã compensa-se com uma sessão intensiva no ginásio... no mínimo 3h, depois de tanta gulodice! (Deve ser, deve...)

sábado, 10 de março de 2007

A estrela mais brilhante

Foi o Sol, a estrela mais brilhante, que acabou por ser a inspiração para esta nova viagem. Mais concretamente o nascer e o pôr do sol, dois fenómenos da natureza que para mim são momentos mágicos que tantas vezes nos passam despercebidos no nosso quotidiano. Dois momentos que compreendem entre si movimento, acção, mudança, mas ao mesmo tempo transmitem calma e harmonia quando contemplados. É assim que quero construir este espaço, o início deste "caminho", com dinamismo, emoção, mas ao mesmo tempo de forma tranquila, espontânea e serena. Foi também a vivência recente destes dois momentos indescritíveis em terras africanas, Moçambique (quem lá esteve sabe do que estou a falar!), que reflecte a inspiração para partilhar um pouco de mim...