Carta a Jasmine

Ainda me lembro daquela noite de Verão em que cruzámos um primeiro olhar. Espreitava-te por entre arbustos, e tu choravas mágoas e desventuras que nunca compreendi. E foi então que te chamei:
“-Menina dos olhos molhados!” Na altura nem te sabia princesa, eu que andava foragido a um bando de salteadores.
“- Menina dos olhos molhados!!”
Vãos se tornam os sonhos dos desafortunados. Era impossível! Nem com toda a magia do génio, nem com todas as minhas acrobacias poderias voltar a ver-me com olhos molhados. Pertenço a um mundo longínquo do teu, e há distâncias que nem um tapete voador pode percorrer.
Se tu és Sherazade, eu sou Xarriar.
Linda princesa, linda, linda…
Por ti enfrentava todos os cádis e vizires impolutos. Por ti deixava de frequentar tabernas e mulheres de má vida, e tomava banho todos os meses. Mas nada disto teve valor naquele Outono do nosso afastamento.
Por vezes passo as horas lassas do meu desalento a contemplar o teu palácio, lá ao longe, no cimo dos montes. Os muros engelhados... as torres desveladas… as cúpulas que resplandecem o brilho vacilante dos teus olhos molhados…
Um dia, Jasmine, um dia, havemos de aprender a voar no meu tapete mágico em busca do mundo ideal. Um dia percorreremos os céus e a imensidão que nos rodeia numa viagem feita de ventos, sonhos e canção, em que o limite será a nossa vontade rumo à noite constelada.
Até breve
Aladino"





